Iniciada para resolver o problema antigo da enxurrada na Rua da Divisão, no Bairro Parati, uma obra de drenagem que está sendo realizada pela Prefeitura de Campo Grande criou novo motivo de transtorno para moradores e comerciantes. Um trecho foi interditado, impedindo o acesso a estabelecimentos comerciais e a chuva quase diária produziu lama, ampliou uma cratera e até arrastou o muro de uma empresa. A via tem cerca de uma quadra e meia de interdição, somente sendo possível o acesso local. Com isso, eventuais clientes dos pontos de comércio e serviços não passam mais, gerando dificuldade financeira aos empreendedores. É o caso de Helinaldo Florença, 63 anos, dono de uma loja de estofamento. Ele se estabeleceu no ponto há cinco meses e conta que ficou especialmente prejudicado porque precisava do retorno no começo do investimento. Os atendimentos caíram pela metade, estima. Ele conversou com o dono do imóvel e conseguiu uma carência de dois meses no aluguel, para conseguir equilibrar as contas. Quem já o conhece, solicita o serviço, mas a interdição impediu que fosse visualizado por quem transita entre os bairros da região. Leuda de Freitas, de 55 anos, mora há 30 anos no local e instalou uma lanchonete em frente de casa para atender fora do horário do trabalho regular que tem em uma marmitaria na região. Ela analisa que se não tivesse o emprego formal, estaria em situação “muito complicada”, por conta da perda do movimento, que ela estima ser de 80%. A preocupação não é só dela, todos os comerciantes estão reclamando, diz. “Meu patrão está desesperado”, diz, sobre a marmitaria. Segundo ela, a impossibilidade de acesso também prejudicou o estabelecimento em que trabalha e o temor é que os clientes se fidelizem em outros locais de fornecimento de refeições enquanto estiverem com o acesso interditado. Além do prejuízo com a falta de clientes, Alisson Fernandes, de 33 anos, dono de um lava jato, teme pela queda do muro. Sua empresa fica em frente ao ponto onde o asfalto foi aberto para colocação de tubulação e máquinas trabalham na drenagem. Dias atrás, o muro em frente despencou com o avanço da cratera diante da enxurrada. Para tentar afastar o risco, ele buscou uma solução doméstica: arrumou arames em uma estaca e prendeu ao muro. Sobre o movimento de clientes, disse que somente os amigos têm aparecido, donos de mecânicas e garagens que o conhecem. “Estou abrindo só por abrir mesmo, já que não tem mais clientes”, lamentou. No caso do serviço que ele oferece, clientes que levarem o carro para lavar correm o risco de sair com ele sujo, diante da terra e barro da obra. Ele diz que tem alguns clientes fixos, mas em pequena quantidade, especialmente porque, ao retirar o carro limpo, a pessoa terá que passar pela obra e sujar, o que reduziu drasticamente o número de atendimentos: hoje resta apenas um ou outro cliente. O estabelecimento fica em uma esquina, no cruzamento da Divisão com a Baturité, onde a obra se estende para além da via principal. A reportagem solicitou informações à Sisep (Secretária de Infraestrutura e Serviços Públicos) sobre o avanço e conclusão dos trabalhos e serão acrescidas ao texto assim que enviadas. Ainda - A situação de comerciantes e moradores já foi alvo de reportagem do Campo Grande News em mais de uma ocasião, antes por conta dos danos da enxurrada, problema antigo. Dias atrás, uma camionete ficou presa, ao cair com um dos pneus dentro de um buraco profundo escondido pela água da chuva. A interdição vai da Rua Baturité até à Rua Carimbó. De um lado, estão pelo menos sete estabelecimentos comerciais isolados. Do outro lado da Divisão há um condomínio. Para os locais, é permitido o acesso, aos demais, a regra é o desvio a partir dos cones de isolamento do trecho. Os moradores apontaram que desde sexta-feira, período de chuvas diárias, não há equipes trabalhando na obra. O solo encharcado prejudica o trabalho e oferece risco de acidentes.